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Há anos ocorrem ricos diálogos sobre Civilização Humana e Filosofia, Teologia, História e Cultura em geral! Tudo que possa interessar a alguém que espera da vida um pouco mais que outra temporada de BBB! Após diversos convites a tornar públicos estes diálogos, está feito! Quem busca uma boa fonte de leitura, por favor, NÃO VISITE este site. O que esperamos, de fato, é a franca participação de todos, pois não se chama “Outros Discursos”.

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

O Segundo

 Estava ouvindo uma canção ontem (texto publicado em 18/08, mas escrito em 16. Ouvi a canção dia 15) e, em certa altura, falou-se algo sobre os segundos (medida de tempo).

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

#Verborragia: Verdade

A palavra de hoje é #Verdade. Este tema é sempre complexo e polêmico, pois cada pessoa é um Universo e cada Universo tem infinitas verdades.

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

#Verborragia: Megafone

Para entender o motivo da Verborragia clique aqui (Por favor Participe! É grátis e fará um [pseudo]autor muito feliz!). A palavra de hoje é #Megafone. Teria sido melhor para um dia de #conto, mas tudo bem. Vamos lá.

Embora não seja algo comum em nosso cotidiano, quase todo mundo já viu um megafone em um filme, série ou desenho animado. A imagem da autoridade usando-o para comunicar algo à distância, para um indivíduo inacessível ou uma multidão, é familiar a todos nós.

Quando oportuno exploraremos "autoridade" e "distância", mas agora minha atenção foi levada aos indivíduos (inacessíveis) e multidões. Não há muita distinção entre estas e aqueles; a multidão é, de algum modo, inacessível, na medida em que a reunião homogênea de pessoas, desconsideradas suas subjetividades particulares, converte aquele amontoado em uma espécie de massa cinza. Eu quase grafei "sem personalidade", mas estaria equivocado. A massa cinza não é de todo impessoal. Toda aglomeração humana se dá por alguma motivação específica e desta intenção geral se pode inferir uma "personalidade" para aquele grupo. Mesmo em uma aglomeração absolutamente casual (ex: hora de pico na Sé - São Paulo) conseguimos isolar um motivador comum (retorno ao lar? Chegada ao trabalho? "Estou atrasado!") que conecta e vincula os indivíduos. Uma massa assim é, via de regra, inacessível, pois se já é difícil influenciar a intenção ou inclinação de um único indivíduo, tanto mais de um grupo. Uma pessoa sozinha decidida a entrar em local proibido é facilmente demovível; basta um muro, uma placa ou um segurança; já duzentas pessoas seguirão em frente, atropelando tudo o que encontrar. Um indivíduo dentro de um grupo com o qual se identifica minimamente é, virtualmente, ininfluenciável por qualquer argumento externo às inclinações prévias do grupo, pois as suas preferências são reforçadas pelos demais, fomentadas e/ou até exigidas. Um indivíduo sem grupo também pode ser inacessível, seja pela real distância física do exemplo do megafone, seja pela força de suas convicções internas. A distância afetiva e/ou intelectual é (são) infinitamente mais difícil de superar que a física. Há de se registrar ainda que um indivíduo pode ser inacessível por um efeito de massa, mesmo que esteja momentaneamente só; ele se reconhece como parte de um grupo do qual extrai validação para seus valores e, mesmo isolado, se imbui do poder e determinação da massa.

Toda inacessibilidade é um problema e é natural da inventividade de nossa espécie buscar soluções aos problemas: eis o Megafone.

Em caso de distância física o Megafone amplia a altura e alcance da voz do emissor, tornando possível vencer o espaço; em caso de distância intelectual, ética e/ou afetiva, o buraco é mais embaixo: o Megafone é o diálogo.

O grande problema é que em qualquer um dos casos o indivíduo ou grupo do outro lado pode escolher não escutar (ainda que ouça), e a inacessibilidade se ratifica. A distância espiritual é a mais complexa de todas.

Não nos é facultada a invasão de mentes e implantação (ou remoção) de conceitos. Que bom que é assim. Por outro lado, mesmo sem tais tipos de artifício toda sorte de forças escusas operam como se os tivessem, "implantando" suas deturpações intelectuais em volume crescente de pessoas: um grupo, um aglomerado, uma "massa" (não confundir com "a massa". Não estou falando de "O Povo". Estou falando de quaisquer agrupamentos possíveis), em seu processo interno de auto reafirmação, se expande, agregando adjacentes como uma bola de material aderente rodando em cascalho.

Como superar este efeito sem nos tornar os próprios mecanismos de opressão que quereríamos suplantar? Diálogo.

Parece falho redundante, falho (repetição não acidental), eu sei, mas é o único meio.

O curioso aqui é o seguinte: No limite, um megafone é uma ferramenta de gritar. O diálogo precisa ser especificamente o oposto.

Lembre-se, estamos falando de indivíduos e/ou grupos inacessíveis; se a inacessibilidade não é física, é espiritual (leia "intelectual", se preferir), geralmente é no grito que a ratificam. Se tentarmos vencer pela altura da voz, no grito, tomaremos parte do processo de "ser/tornar inacessível".

Milagre? Basta falar (baixo) que tudo se soluciona? Não. Lamentavelmente não. A Física fala sempre dos dois grandes alicerces da existência: Tempo e Espaço. Aqui eu preciso te dizer que eles reinam também no mundo das interações espirituais (leia "sociais", se lhe for mais confortável). Dadas estas premissas e percebido que o diálogo não reduz distâncias, abracemo-nos ao Tempo.

"Tempo, tempo, tempo, tempo. Entro num acordo contigo..." (Leia Sobre o Tempo)

No diálogo insistente, repetitivo, sobretudo paciente, desesperadoramente baixo (sem gritos, parceiro), pequenas e fragilíssimas sementes são plantadas. Como é natural desse tipo de semente, 99% vai morrer. Não tem problema. Cada 1% é uma vitória incomensurável.

No tempo! Com tempo! Com calma, uma pessoa por vez, talvez uma pessoa por geração, chegaremos ao dia dos Megafones esquecidos em museus. Transformaremos a humanidade em uma nova e imensa massa cinza com todos abraçados reproduzindo os meios conceitos e valores? Que os Deuses garantam que não. Estamos aqui para sustentar as diferenças; eliminar a inacessibilidade.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

sexta-feira, 8 de julho de 2022

#Verborragia: Pai

Para entender o motivo da Verborragia clique aqui (Por favor Participe! É grátis e fará um [pseudo]autor muito feliz!). 

A palavra de hoje é "Pai". Antes de mais nada, convém alertar que este texto não é uma homenagem; por outro lado, também não é uma válvula de escape de ressentimentos (não tenho nenhum). É uma tentativa precária de estar honesto (não se pode SER honesto. Leia Honestidade, disponível como reflexão e como conto).

Falar de paternidade é um problema pois, via de regra (e isso não é defesa da família tradicional brasileira), os pais são homens e homem é um problema. Você pega todo o mar de lama ancestral que constitui um homem comum e, plau, dá na mão dele um outro ente para formar (estou falando de pais, não de reprodutores, portanto, os homens que abandonam filhos não cabem neste texto).

Eu não gosto de falar em toxidade simplesmente pelo modismo que orbita o termo, mas ela não deixa de estar lá só porque eu a evito.

Com isso, todo um mar de feridas, ressentimentos e até traumas são inseridos num ente, o filho, que deveria ser protegido de tudo isso. Que Shiva me perdoe: É impossível calcular o mar de feridas que eu mesmo devo ter causado ao meu filho por simples imaturidade, despreparado e condicionamento (eu não sou perfeito. Estamos estudando os pais reais, não os ideais, e eu sou real).

Meu pai morreu muito cedo e minha mãe não casou novamente. Minha figura paterna foi um Frankenstein formado pelas lembranças do meu pai, as idealizações que fui construindo ao redor dele, meus tios e figuras masculinas mais velhas que fui conhecendo na jornada (amigos, colegas, patrões, padres, etc.). Como eu disse, nenhum ressentimento aqui: eram todos pessoas muito boas, cada qual tentando o seu melhor e eu procurando apreender o melhor do melhor. Como eu disse, homens são invariavelmente falhos, portanto, tentar fazer o seu melhor não elimina o oceano de condicionamento ancestral imposto pela sociedade.

Toda sorte de comportamentos e inclinações indevidos (aquilo que convencionou-se chamar "masculinidade tóxica") tão perfeitamente aceitos e fomentados pela sociedade num processo quase imperceptíveis, de tão natural, e imperdoavelmente profundo; difícil demais de reverter.

Para cada homem que nota este cenário conscientemente e se empenha deliberadamente para reverte-lo há mil homens alimentando-o e há cem canalhas simulando-o para atingir propósitos egoístas (e tóxicos; paradoxo).

A reversão, quando tentada, é turbulenta, tortuosa, e mesmo nos raros momentos de linha reta ocorre com alternância de dois passos para frente, um para trás. Quando o assunto é tornar-se (e/ou ajudar no desenvolvimento de) homens melhores , estamos todos bêbados.

A masculinidade em si, o "ser homem" não é uma coisa a ser combatida; todos os entes tem, individualmente, partes masculinas e femininas e a eliminação de qualquer uma delas é uma amputação no espírito. 

Ser/tornar-se homem, consequentemente, pai, é (precisa ser) um processo ininterrupto de auto avaliação e ajustes e deve ser empregado por cada pessoa, homem ou mulher, independente de questões de sexualidade, pois somos todos, em alguma medida, homens tóxicos e propagadores da toxidade.

Importa dizer uma vez mais: ajustar a masculina não é amputá-la. É perceber que não se é mais homem por perpetuar (ou cobrar dos amigos; ou ensinar aos filhos) posturas que nada agregam à vida de ninguém. É possível ser homem (e pai; e amigo) de uma forma infinitamente mais saudável. O ponto fundamental é: não é apenas possível, é urgente, pois a masculinidade como é vivida (e ensinada aos filhos) é uma tortura e prisão na vida das mulheres. Como pais, narramos amar nossas filhas, ao mesmo tempo que desprezamos e ferimos as filhas dos outros (não raro, as nossas também, em detrimento do suposto laço familiar).

Se você é homem, por favor perceba como lhe foi fácil vestir qualquer coisa e sair para o trabalho nesta manhã. Enquanto isso uma mulher precisou se trocar movida pelo terror do assédio potencial no transporte; outra chorou por motivos semelhantes ou piores; outra não teve força nem para sair. Um piada "desinteressada" sua foi a ruína de um coração. Você vai dizer que não fez por mal? Ok. Eu acredito. Mesmo assim você fez mal a alguém, e ensinou o mal ao seu filho.

Há algo para ajustar aqui, amigo. Pelo bem de nossos filhos e filhas. Isso é urgente!