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Há anos ocorrem ricos diálogos sobre Civilização Humana e Filosofia, Teologia, História e Cultura em geral! Tudo que possa interessar a alguém que espera da vida um pouco mais que outra temporada de BBB! Após diversos convites a tornar públicos estes diálogos, está feito! Quem busca uma boa fonte de leitura, por favor, NÃO VISITE este site. O que esperamos, de fato, é a franca participação de todos, pois não se chama “Outros Discursos”.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A Evolução das Verdades

Tenho o hábito de tomar nota, quando possível, dos pensamentos que me ocorrem, assim, eventualmente retorno às notas e dialogo com minhas existências passadas (de fato aquele que escreve o presente texto não é exatamente o mesmo individuo que se deitou em minha cama ontem, tampouco aquele que vocês encontraram quando me viram pela primeira vez, anos atrás).

Em visita ao passado, nesta manhã, encontrei uma curiosa anotação de 01/07/2008 na qual consta um comentário que deveria, no futuro daquele momento, converter-se em texto. A Nota/tópico/título era “Da inquestionabilidade da existência de Deus”. O eu que sou hoje se assustou com a possibilidade de tal comentário de mim mesmo, porém, minhas origens cristãs levariam àquele tipo de reflexão com naturalidade. Sou capaz de vislumbrar todo o desenvolver conceitual que me levou daquele “Homem Crente” até um “Homem Cético” e, finalmente, até um outro “Homem Crente”, em novo nível de crença, o qual sou hoje. Tal desenvolvimento interno não será aqui apresentado dadas  limitações físicas e temporais (não tenho tempo nem espaço para escrever o livro que viria de tal construção). Também não se aplica tal texto por não ser meu objetivo efetuar críticas religiosas. Não estou aqui para atacar as demais crenças. Basta apresentar que muito tempo se passou entre a nota de 07/2008 e um outro texto, datado de 07/07/2010, e encaminhado à maioria dos senhores; lá estava escrito “...não é possível conceber uma existência mais fantástica e magnífica que a do deus cristão, em sua plenitude, bondade, amor incondicional, sabedoria, etc. (Portanto) QUÃO MAIOR, MAIS INFINITO (parece contraditório um infinito maior que o infinito, mas conceitualmente é possível), MAIS PLENO (idem), COMPLETO, AMORO E BONDOSO É (ou pode ser, potencialmente) O ESPIRITO HUMANO (Seu Criador)”.
                Quis escrever isto para, sobretudo, mostrar como são vivas as idéias; como são independentes as verdades e os caminhos que são capaz de traçar para dentro de nós, com suas raízes, e para fora de nós, com suas ramificações, estabelecendo novos conceitos, vivências, valores, existências. Elas se apossam de nós como o “daimon” socrático (nenhuma semelhança com o demônio cristão, por isso mesmo, nenhum receio para com o mesmo), mudam nossas vidas irreversivelmente. Mudam o mundo, para o bem ou para o mal, mas nunca o mesmo.
                Mudado que fui, compartilho com os senhores a mudança. Pleno que estou, solicito dos senhores o fim dos fragmentos. A cada momento de nossas vidas somos representações provisórias de nós mesmos, assim, o sujeito que escreveu “Tenho o hábito de tomar nota, quando possível...” não é o mesmo que escreve agora (discussão antiga entre mim e meu bom amigo Newton), mas espero que junto aos senhores, outra busca se proceda. Cada qual está inserido em seu próprio repertório existencial e/ou espiritual, isto não se aplica agora. Não discutiremos “a inquestionabilidade da existência de Deus” ou “a Plenitude do seu Criador”. Debrucemo-nos sobre nós mesmo, para encontrar o que é mais importante. Na evolução de idéias e verdades que compõe cada um de nós, o que é nitidamente provisório? O que é efetivamente ou potencialmente Pleno/Verdadeiro? Quero conhecer suas versões definitivas!

A idéia não é/foi minha. Idéias são espíritos independentes que nos usam como hospedeiros, rompendo nossa casca e se lançando ao mundo quando devidamente maduras!” Marcelo in @PhdCelo

2 comentários:

  1. Taí, estou gostando muito do que estou lendo... rsrs. Vc parece que tem muito a dizer (muito, que signifique alguma coisa).
    Esta discussão sobre a divindade foi uma das questões que motivou meu estudo da filosofia e ainda motiva, agora com o pano de fundo da obcecada busca pelo infinito, mesmo sem querer vinculá-lo à motivos religiosos.
    Fui uma católica "voraz" (estudando teologia, tendo no comportamento um perfil moralista), mas sempre me incomodei muito com os questionamentos escondidos por baixo da capa da moral que a tradição me presenteou. Optei então, ao longo do tempo e quase sem me dar conta, por caminhar por uma trilha sinuosa, na qual não me permiti marcar o trajeto para meu retorno. Me vi completamente imersa num vazio existencial. Isso por conta do questionamento da divindade, que pela tradição fora construída,a qual eu pretendia negar a veracidade, sem sucesso, claro. A tradição tem sua própria verdade.
    Fui tão insensata quanto no tempo da crença e dos moralismos que carregava.
    Hoje a busca se fixa na tentativa de retorno ao lugar de onde parti inicialmente, para assim, modificada, tentar olhar o entorno do trajeto de uma outra forma, para conseguir recuperar a beleza ao menos, já que a verdade nunca será conhecida. E isso já é um desafio enorme!
    Bem, quanto à sua pergunta final: eu nomearia oque chama de "evolução de idéias e verdades que compõe cada um de nós" de Ser. E aí concordo plenamente com M. Heidegger que acredito que diria que por sermos um acontecer (acontecer que é nosso no mundo), tudo é provisório no tempo. Veja o texto que escrevi em meu blog: http://isso-ou-aquilo.blogspot.com/2011/05/sendo.html
    Mas vou te dizer uma coisa. Acho que a única "versão definitiva" é o desejo. E aí posso concluir dizendo que meu maior desejo é encontrar algo de fato pleno. Quem sabe?
    Abç

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  2. Boa Tarde, Luciane!
    De fato, as infinitas buscas travadas por cada indivíduo rumo a alguma verdade acabam passando, mais cedo ou mais tarde, por discussões relativas às dividades, já que espera-se que sejam a verdade última ou fundamental (partindo da hipótese de serem verdades). Como você, passei boa parte de minha vida como católico engajado, pautando meus pensamentos pela bíblia e o CIC, temperando-os com a espiritualidade da RCC¹. Com o tempo, aquela água não saciava minha sede e aquele pão não matava minha fome; Eu fui criado para perguntar e "Porque sim!" ou "Porque deus quer assim" me perturbavam o espírito profundamente. Respostas melhores encontrei noutros caminhos, os quais não serão aqui apresentados, pois nosso diálogo não visa pregação ou conversão.
    Você escolheu bem as palavras ao vincular a "versão definitiva" ao desejo; desejo que sempre é um movimento "para algo" mas não o algo em si, já que se o possuíssemos à priori não o desejaríamos. É contraditório o que direi, mas não menos factual por isto! O único definitivo deve ser o movimento! Este vir a ser que renovamos a cada suspiro, a cada pensamento, a cada nova busca!
    Nota:
    1)CIC = Catecismo da Igreja Católica; RCC = Renovação Carismática Católica.

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