Cabeçalho

Há anos ocorrem ricos diálogos sobre Civilização Humana e Filosofia, Teologia, História e Cultura em geral! Tudo que possa interessar a alguém que espera da vida um pouco mais que outra temporada de BBB! Após diversos convites a tornar públicos estes diálogos, está feito! Quem busca uma boa fonte de leitura, por favor, NÃO VISITE este site. O que esperamos, de fato, é a franca participação de todos, pois não se chama “Outros Discursos”.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Crítica à Informação!

Eu não leio nem assisto jornais. Eu desprezo a mídia. Sou considerado, pelos meus colegas de trabalho, um alienado. Meus amigos mais próximos, por caridade, não fazem esta acusação. Não sei o que acontece na política nacional e mundial. Não sei qual o escândalo da vez na administração do PT. Não sei às quantas andam as investigações da Petrobras. Não sei o nome da última criança atirada de uma janela. Não sei quem devo odiar neste momento. Escolho viver assim.

O grande fato é que vivemos em uma sociedade cada vez mais informada, a qual não entende como é possível haver desinformados, muito menos porque alguém haveria de não desejar a informação. A questão é simples: Informação e Conhecimento não são sinônimos. Cada babaca eleito lê uns três jornais por dia e não é uma pessoa mais ética por isto. Cada babaca eleitor assiste pelo menos um telejornal por dia, e não começa a escolher melhor por isto. Cada babaca âncora segue com suas notícias cuidadosamente direcionadas para construir uma opinião que atenda aos interesses específicos de seus empregadores.
O grande problema é que não para por aí. A informação, nos padrões atuais, não é apenas um mal político, é um agente de desagregação social, de desconstrução ética. Explico: O ser humano é um indivíduo social. Sua vida em grupo é pautada por inclinações, valores, virtudes e vícios. Não há homem plenamente ético. Há um jogo de valores que ocorre dentro dele e são equalizados por diversos fatores, dentre eles a validação social. Se a criança recebe um tapa na mão antes de tentar tocar a panela tenderá a não repetir o ato. Se uma criança houve dúzias de “olha só que gracinha!” após dizer um “Vá tama nucu!”, repetirá esta frase, mesmo sem saber o que diz. E repetirá ainda mais, para o resto da vida, quando descobrir o significado. Validação Social. Precisamos admitir que não somos criaturas de plena formação intelectual (não falo da academia e diplomas. Falo da constituição espiritual e ética de cada indivíduo e da sociedade) e que, por isto mesmo, não estamos preparados para a liberdade plena.
Disto decorre que necessitamos de agentes limitadores, precisamos de mecanismos de coerção, sobretudo dos subjetivos. A Validação Social é o mais poderoso deles. Não é possível garantir que um homem - dada a inescrutável sobreposição de eventos, pensamentos e tendências que construíram sua personalidade – não sinta atração sexual por uma menina de doze anos. MAS, sem a validação social, ele jamais diria publicamente que sentiu este desejo. E dificilmente levaria isto ao ponto de cometer o estupro. No mundo atual, com a informação explodindo em nossas televisões, computadores e celulares, ele perceberá que não está sozinho em seu desejo – VALIDAÇÃO SOCIAL -, sendo muito fácil, até mesmo natural, manifestá-lo em mídias sociais após assistir uma menina em um programa de TV ou mesmo chegar ao absurdo de um estupro coletivo em um ônibus no nordeste. E olhe só você, o próprio fato de haver mais de um ali, cada membro do grupo era um agente de validação social para cada participante do estupro. A Informação, na forma que é dispersada atualmente, não fornece conhecimento, apenas liberta demônios. Todos têm demônios. Todos passariam vidas inteiras lutando contra eles. Que falta faz a época em que um “Deus Castiga!” ou “O que vão pensar?” bastavam para inibir um ato destes. E mesmo naquela época a coisa era tensão. Nunca é tão simples assim. Mas hoje os demônios estão soltos e facilitam a libertação dos que ainda estavam cativos. O ser humano definha em sua própria liberdade, conquistada através da Informação vomitada sobre todos nós e da total carência de conhecimentos que nos possibilitassem filtrar o que deveríamos absorver ou desprezar.
O mesmo vale para tudo: linchamentos, preconceito racial, homofobia, etc. Os pseudotelejornais – sobretudo os do final da tarde – derramam sobre a população todo o tipo de atrocidade praticada em toda a parte. Com isto eles não estão realizando uma denúncia. Não estão colaborando com o final destas práticas. Pelo contrário, estão disseminando a validação social que outros esperavam para adotar as mesmas práticas. O mundo atual, cada vez menos civilizado, está afogado em intolerância, violência AND INFORMATION. Não estou fazendo apologia ao retorno da Idade das Trevas, pelo contrário, é possível até comparar-nos àquela época. Como hoje, todos tinham acesso à informação - aqui dispersa pelos jornais e internet, lá, martelada nas missas - do que se devia ou podia querer e pensar. Lá os livros eram queimados, aqui, são esquecidos. Muitas séries para assistir, atualizações em mídias sócias para ler, jornais e revistas para acompanhar, “Veja” só você, como poderia sobrar tempo para ler “A Crítica da Razão Prática”?. Não há tempo para obter conhecimento, sobretudo ser for conhecimento que não possa ser enquadrado ou descrito no currículo.

O mal da informação é ela mesma. O mal da sociedade contemporânea é o formato e o peso que a informação recebeu, o forma indiscriminada como ela é dispersada, a forma irracional como é recebida e as gerações, cada vez menos críticas, que a recebem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário