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Há anos ocorrem ricos diálogos sobre Civilização Humana e Filosofia, Teologia, História e Cultura em geral! Tudo que possa interessar a alguém que espera da vida um pouco mais que outra temporada de BBB! Após diversos convites a tornar públicos estes diálogos, está feito! Quem busca uma boa fonte de leitura, por favor, NÃO VISITE este site. O que esperamos, de fato, é a franca participação de todos, pois não se chama “Outros Discursos”.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Um Olhar

Outro dia, no metrô, sentou-se à minha frente uma senhora aparentando idade já bastante avançada. Chamaram minha atenção seus brilhantes olhos azuis, os quais automaticamente levaram-me à reflexão que segue:

Olhos não envelhecem! O enrugamento da pele que os circunda leva à ilusão de que acompanham o avanço da idade. A dificuldade de visão em muitos idosos evidencia haver alguma degradação interna, mas do ponto de vista estético, não há diferença entre o olhar daquela senhora em seus (talvez) 70 anos e o da moça de 20 que ela foi. Curioso: Porque homens e mulheres se dizem fascinados por olhares alheios, mas nunca param para contemplar o olhar de um idoso?
Penso que mentiu cada homem que incluiu o “Lindos olhos” em seu discurso de “corte”, afinal, olhar igual ou até mais bonito poderia se apresentar em uma senhora e nunca vi um moço dirigindo-se assim à uma anciã. Me agrada o olhar dos idosos, homens ou mulheres, pois vejo através deles muita vida. Não apenas “memórias”, como se representassem um banco de dados, mas vida real, concreta, vivida, sofrida, e muita vida ainda para se viver, já que a Vida não se mede pelos anos, mas sim pelos significados.

Aprender a olhar os olhares poderia nos levar a reconhecer a profundidade de cada vida, mergulhando em existências prontas a compartilhar conosco algo deste “ser profundo”. Não falo de ouvir histórias; parar para imaginar como era a vida no quando de alguém que começa seu relato com o tradicional “No meu tempo…”. O tempo dele é agora, assim como o seu. Daqui há 40 anos o meu tempo será 2053, não aquela época passada na qual eu escrevia textos que só eu lia. Olhar o olhar do idoso é perceber que ali há alguém que amou muito, que chorou muito, que construiu e perdeu muita coisa e segue, crescendo e aprendendo como você. Reconhecer que a beleza do espírito transcende qualquer atributo físico e, sobretudo, não se deprecia com o tempo, pelo contrário, só se expande. Agradeço a vida por cada oportunidade que tenho de encontrar um idoso. Não pelas lições que suas histórias nos dão; não pela experiência que podem compartilhar; agradeço mesmo quando não tem nada a dizer ou quando a sensatez do discurso se perdeu com a dor de ver seu mundo se desconstruindo. Agradeço pelo que seus olhares me ensinam. Se o olhar é a janela da alma, agradeço pelos encantadores fragmentos de espírito com os quais tive a oportunidade de conectar o meu. A linguagem jamais será capaz de expressar tanto quanto um único olhar.

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